lunes, 15 de agosto de 2016

Os paraisenses - conto


    O luar, a escuridão da noite. Só o reflexo de um cuarto de céu aberto.   E as flores brancas de centro violáceo estavam suspendidas no ar. Seus típicos cheiros chegavam até o final da casa. Os cheiros, os verdes e os amarelos dos sons do samba se misturavam com as saudades de sua cidade natal. As montanhas imponentes ao oeste e a eternidade. Os aromas que sempre a acompanhariam durante horas intermináveis.

   Estava detida junto à porta que da a praia. Sobre seus ombros as montanhas já não tão imutáveis como antes. Mudar de tempo, mudar de cidade, mudar de vida. Mais as flores, as cores, os cheiros sempre presentes.
   A viagem estava por começar e o problema era como empreender a partida com uma equipagem sem roupas no mundo de palavras e imagens vazias, Há tantas coisas para por em uma equipagem: roupas, livros, lembranças e ela preferiu levar tempo. Tempo, essa invenção das pessoas que dá a possibilidade de separa os dias das noites; as alegrias das tristezas.

    Novamente o jogo. Sentem-se os tambores, o ritmo da esperança, a confusão dos tempos. Uma época e outra. A juventude, os amigos, a escola, os namorados. Todos dando voltas, tentando sair da mente e sempre uma pergunta: onde está a equipagem...?
   As flores brancas de novo. Essas flores de uma árvore conhecida como “paraíso” em sua terra natal. Os brancos, os cinzas, os pretos, os violetas. A montanha e a praia. Tempos e destempos, idas e vindas. Também no ar se respiram saudades de perfumes e frutas frescas.


   Como dizer as pessoas que não há mais tempo. Que hoje ela deve empreender a viagem. Aparecem as flores brancas de centro violáceo, as flores dos “paraísos”. O luar, os vaga-lumes, a paixão de viver. Os cheiros das árvores a acompanhariam para sempre, mas ela só tem flores na primavera. Os paraisenses: diz-se da gente que mora no PARAISO, numa parte do céu. “Paraíso”: diz-se de uma árvore de sua terra natal que dá flores brancas de centro violáceo. Do lugar onde Deus pôs Adão. Mansão de anjos. Mansão de saudades de terra.


Marisa Avogadro Thomé. Escritora - Periodista. Traducción al portugués de la autora.

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